DIARIO DA ILHA: Três anos sem Décio Sá

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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Três anos sem Décio Sá

Assassinato do jornalista Décio Sá completa três anos nesta quinta (23)


A quadrilha que matou Décio Sá
Completa três anos, nesta quinta-feira (23), o assassinato do jornalista Décio Sá, morto a tiros em um bar na Avenida Litorânea, em 2012, em São Luís (MA). O crime teve repercussão internacional, com manifestação de pesar de entidades como a Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Dos 12 acusados de participar direta e indiretamente da trama que resultou na morte do jornalista, apenas dois já foram julgados. O assassino confesso Jhonathan de Souza Silva, condenado a 25 anos de prisão em regime fechado, e o piloto da motocicleta que deu fuga e ele Marcos Bruno, condenado a 18 anos de prisão em regime fechado.
Décio Sá foi morto a tiros no dia 23 de abril

Segundo informações da assessoria do Fórum Desembargador Sarney Costa, após o julgamento e condenação dos dois, os outros acusados interpuseram recursos recorrendo da pronúncia proferida pelo juiz Osmar Gomes, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que decidiu levar 11 acusados a júri popular.
Os recursos encontram-se na 2ª Câmara Criminal e aguardam decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA). Os julgamentos dos outros acusados só poderão ter as datas marcadas após as decisões. Os acusados que ainda serão julgados são: os empresários Gláucio Alencar Pontes Carvalho e José de Alencar Miranda Carvalho, filho e pai acusados de encomendar o crime (presos no Comando Geral da Polícia Militar); Shirliano de Oliveira, o Balão, acusado de auxiliar o assassino (foragido); José Raimundo Sales Chaves Júnior, o Júnior Bolinha, acusado de intermediar a contratação do pistoleiro (preso no Complexo Penitenciário de Pedrinhas).
Jhonathan confessou ter assassinado Décio Sá
Os policiais Alcides Nunes da Silva e Joel Durans Medeiros, acusados de participar de reuniões para tratar do assassinato de Décio Sá (em liberdade); Elker Farias Veloso, acusado de auxiliar o assassino (preso em presídio estadual em Contagem [MG]); o capitão da PM Fábio Aurélio Saraiva Silva, o Fábio Capita, acusado de fornecer a arma do crime (em liberdade); Fábio Aurélio do Lago e Silva, o Bochecha, acusado de hospedar o assassino (em liberdade). O advogado Ronaldo Ribeiro, que trabalhava para Gláucio e Miranda e é acusado de participação indireta na trama, foi excluído do júri popular por falta de provas.

Agiotagem


Ex-Prefeita de Dom Pedro (MA)
Maria Arlene Barros e o filho
Eduardo Costa Barros
A investigação do assassinato de Décio Sá resultou na descoberta de um esquema de agiotagem praticado em mais de 40 prefeituras do Maranhão com envolvimento dos empresários Gláucio e Miranda, de vários gestores municipais, outros agiotas, policias, blogueiros e jornalistas. No último dia 31 de março, foi deflagrada a "Operação Imperador", pela qual foi presa temporariamente a ex-prefeita de Dom Pedro (MA) Maria Arlene Barros e o filho Eduardo Costa Barros. A polícia afirma que mais de R$ 5 milhões foram desviados da prefeitura entre 2009 e 2012. Na ocasião, o secretário de Segurança Pública Jeferson Portela garantiu que as 42 prefeituras estão sendo investigadas e que inquéritos serão abertos para a operações em cada uma delas.

O crime
O jornalista Décio Sá foi assassinado com cinco tiros por volta de 23h de uma segunda-feira, 23 de abril de 2012, quando estava em um bar na Avenida Litorânea, na orla marítima de São Luís - um dos principais pontos de turismo e lazer da capital maranhense. Ele trabalhou por 17 anos no jornal "O Estado do Maranhão" e, na época, publicava conteúdo independente no "Blog do Décio", que era um dos blogs mais acessados do Estado.

Segundo o inquérito policial, na noite do crime, o jornalista deixou a redação por volta de 22h e dirigiu até o bar, onde teria pedido uma bebida e um prato. Ele estava à espera de dois amigos e falava ao celular quando foi surpreendido pelo pistoleiro, que o atingiu com cinco tiros, três no tórax e dois na cabeça, e fugiu em seguida na garupa da motocicleta dirigida por Marcos Bruno.

A dupla então teria feito um retorno mais à frente. O assassino foi deixado ao pé de uma duna, onde teria passado por um grupo evangélico que fazia orações no local, naquela noite. Ao chegar ao topo do monte, ele teria enterrado a arma, trocado de camisa e sandálias e saído na direção de um veículo, que já o aguardava do outro lado da duna.

De acordo com informações da polícia, o jornalista foi morto porque teria publicado no blog uma postagem sobre o assassinato do empresário Fábio Brasil, o Júnior Foca, envolvido em uma trama de pistolagem com os integrantes da quadrilha encabeçada por Glaucio e Miranda. Décio Sá tinha 42 anos e deixou uma filha e uma esposa grávida na época.


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